Resenha (029): A Batalha do Apocalipse

segunda-feira, 18 de março de 2013

Resenha (029): A Batalha do Apocalipse

Título: A Batalha do Apocalipse - Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo (SPOHR, Eduardo). 
Gênero: Fantasia
Editora Verus, 586 páginas.


Olá pessoal, hoje venho falar do livro do autor brasileiro Eduardo Sphor. E já adianto que talvez eu acabe me empolgando um pouco na resenha de hoje. Espero que me perdoem caso a resenha fique um tanto exagerada.

Sétimo dia da criação e Deus (ou Yahweh, como é referenciado muitas vezes no livro) resolve ter seu merecido descanso, passando a responsabilidade aos cinco arcanjos (Miguel, Uziel, Rafael, Lúcifer e Gabriel) de governarem o céu e a Terra.

Miguel, por sua vez, era dotado de inveja e ciúmes do livre arbítrio dado aos seres humanos. O arcanjo, decidido a exterminar com a humanidade, investe em grandes catástrofes (como o dilúvio, por exemplo). Subestimando os seres humanos, que catástrofe após catástrofe acabavam repovoando o mundo, o arcanjo não obteve sucesso.

"Concentrando todo o poder debaixo de suas asas, os poderosos arcanjos, onipotentes e intocáveis, utilizavam a palavra de Deus para justificar sua própria vontade. Revoltados com o amor do Criador para com os seres humanos e movidos por um ciúme intenso, decidiram ir contra as leis do Altíssimo e destruir todo homem que caminhasse sobre a terra, acabando assim com parte da criação do Divino."  

Como comentei anteriormente, no livro de Sphor existem cinco Arcanjos: Miguel, nomeado o príncipe dos anjos por ser o primogênito, Uziel, comandante dos exércitos de querubins, Rafael, que envergonhado  com a briga entre os irmãos acaba se exilando, Gabriel, Mestre do Fogo, que posteriormente rebela-se contra o Arcanjo Miguel, e por fim Lúcifer, a Estrela da Manhã.
Como toda regra tem sua exceção, nem todos os seres que habitavam o céu estavam satisfeitos com as mortes e a tentativa de destruir a criação divina. Um grupo de celestiais resolve rebelar-se contra a tirania de Miguel. Porém, foram procurar apoio ao arcanjo errado: Lúcifer, com todo o seu carisma - ao contrário de seu irmão Miguel, que investia na autoridade e tirania - acaba enganando o grupo e denunciando o mesmo ao príncipe do anjos, acarretando na derrota e no banimento dos dezoito rebeldes à Terra (ou Haled, como muitas vezes é referenciada no livro).

Para Lúcifer, tudo isso tinha um propósito: ganhar a confiança do irmão para mais tarde colocar em prática sua própria revolta. Era de se esperar que Lúcifer almejava o lugar do irmão - e posteriormente do próprio pai. Dentre essa rivalidade entre os dois irmãos é que surge o protagonista da trama: Ablon, o anjo renegado, ex-general dos querubins. A primeira aparição de Ablon na história dá-se no Rio de Janeiro, já no século XXI, nas mãos do Cristo Redentor enquanto tem uma conversa com seu amigo Orion, antigo rei da Atlântida e agora servo de Lúcifer. O propósito era impor uma trégua e anunciar o que estava para acontecer: A Batalha do Armagedon.

Falando um pouco a respeito da história de Ablon, o celestial era o Primeiro Gerenal dos querubins até ser banido para a Haled. Essa alcunha foi conquistada após a última campanha das Guerras Etéreas, quando a Legião das Espadas, comandada por Ablon, investiu primeiro no castelo do deus Rahab, Príncipe dos Mares, matando-o e derrotando seus guerreiros. Devido a isso, Ablon teve o reconhecimento de todos, o que encheu o coração de Apollyon (o anjo Destruidor), de raiva e inveja. A partir daí eles se tornam inimigos mortais e se encontram muitas vezes no decorrer da trama. Já sabem o que esperar desses dois, né?

Apollyon, o Anjo Destruidor e Ablon, segurando sua espada Vingadora Sagrada (infelizmente não encontrei a fonte, quem souber quem é o autor da fanarte repasse para que eu possa dar o devido crédito)


Curiosidade: As chamadas Guerras Etéreas tiveram origem devido ao fato de que muitos locais/aldeias não reconheciam a existência de um único Deus, venerando assim suas próprias divindades, sendo que algumas delas eram espíritos de heróis que, ao serem adorados após suas mortes tornaram-se entidades poderosas. Preferindo o contato com seus adoradores, essas entidades não rumaram ao Paraíso, e sim ao Mundo Espiritual (ou Plano Etéreo). Devido a isso, os espíritos etéreos ampliaram suas influências, uma vez que o número de adoradores se multiplicava. Os celestiais, sentindo-se então ameaçados, resolvem que esses espíritos deveriam ser destruídos. Foi aí que deu-se origem às Guerras Etéreas, uma série de campanhas militares dos celestiais no plano Etéreo. Claro que, nem todos os espíritos Etéreos foram destronados. No Oriente, por exemplo, algumas legiões celestes foram derrotadas (clique aqui para saber mais).

Ablon, após ser banido, sai em busca de sua companheira Ishatar - também banida - e devido a isso, acaba parando na Babilônia. Ishatar, por saber demais a respeito dos planos do arcanjo Miguel acaba sendo morta pelo Anjo Negro, uma entidade dotada de maldade e que estava a serviço do arcanjo. A partir desse dia, Ablon prometera a si mesmo que não mais se envolveria na guerra entre os celestiais. Acostumara-se a viver na terra, em meio aos humanos. Eis que durante essa mesma viagem à Babliônia, Ablon conhece Shamira, a Feiticeira de En-Dor, a qual é salva pelo nosso herói das garras do rei tirano que governava o local. A partir daí os dois criam um vínculo muito forte e passam por diversos momentos de tensão (Ablon sempre acabava indo ao encontro de Shamira quando a mesma se encontrava em perigo, o que aconteceu muitas vezes, já que a feiticeira possuía um arqui-inimigo: o também feiticeiro Zamir).


Após os vários acontecimentos vividos por Ablon e Shamira, séculos se passaram e finalmente chega o ápice do embate celestial (o que nos lembra aquela cena descrita acima do encontro entre Ablon e Orion): A Batalha do Armagedon, que irá decidir o futuro da Terra e dos seres que nela habitam. Tudo corria bem nas vidas do anjo renegado e da feiticeira de En-Dor e sua promessa de não mais interferir nos planos dos celestiais continuava em pé. Até que, por interferência de Miguel, o Anjo Negro decide levar sua outra companheira como garantia de uma trégua. O resto da trama, vocês descobrem.


Ablon e Shamira. Autor: Édipo Costa

O livro é narrado em terceira pessoa e possui uma série de flashbacks. A maioria deles fatos que ocorreram entre Ablon e Shamira durante o passar dos séculos. Li algumas resenhas do livro e vi muita gente reclamando a respeito disso, uma vez que alguns flashbacks tomavam boa parte do livro com capítulos longos. Porém, a narrativa de Sphor é tão consistente, tão bem elaborada, que mesmo o que pode parecer maçante ou desnecessário acaba se tornando interessante, sem contar que foi deveras enriquecedor para a trama, uma vez que através deles pode-se vislumbrar diversos períodos e lugares da história da humanidade.

A Batalha do Apocalipse prendeu minha atenção do início ao fim: cenários bem descritos, enredo e personagens bem estruturados. Além do mais, é visível a pesquisa feita para a elaboração da trama: O autor fez o dever de casa, embasando-se não somente bíblica como também historicamente a respeito dos diversos períodos envolvendo a trajetória de Ablon pela Terra, sem contar a mistura de mitologias e as diversas informações extras contidas no livro.
É aquele tipo de livro que instiga o leitor a saber de onde veio tanta informação. Eu mesma não sou a melhor entendedora quando o assunto é bíblico, e a leitura desse livro me fez ir um pouco mais a fundo a respeito do que o autor utilizou para criar sua estória.

O mundo criado por Eduardo Sphor não é apenas uma obra fictícia a respeito de uma guerra civil entre celestiais.Ao mesmo tempo em que é fictício, também passa - pelo menos pra mim - uma mensagem bem interessante. Trata sobre como toda luta que derrama sangue inocente, no fundo sempre tem um motivo mesquinho envolvido.

O pertinente, pelo menos a meu ver, é falar apenas da escrita e da história em si, mas só pra não dizer que tudo no livro é rosas, encontrei alguns (vários) erros de pontuação. Faltava ponto final em muitas frases... na realidade, eu nem gosto de comentar quando vejo essas coisas, porque é de responsabilidade da Editora realizar uma melhor revisão.

Fuçando pela internet, tentei encontrar alguma ilustração que mostrasse um pouco como eu imagino Ablon. Ao contrário do que muitos esperam de um anjo, com seus traços delicados, eu o imagino como um  verdadeiro guerreiro, com traços e olhar marcantes, além de deixar transparecer muita força e coragem. Acabei encontrando! Eu imagino Ablon exatamente assim:

Fanarte de Ablon. Autora: Priscilla Tramontano

Confesso que comprei esse livro tem um bom tempo em uma promoção, e sempre acabava deixando a leitura do mesmo para depois. Me arrependi - E MUITO - de ter empurrado ele com a barriga por tanto tempo. E me arrependo mais ainda de não ter pago um pouco mais caro pela Edição Especial, a qual possui informações extras (essa edição tem bem umas cem páginas a mais). Uma hora dessas eu acabo comprando essa edição e trazendo novas informações a respeito do livro. E eu estou bem curiosa para ler Filhos de Éden, outra obra do autor Eduardo Sphor. Espero poder fazer isso em breve!

Por fim... o que eu posso dizer é que hoje, em se tratando de ficção, a literatura nacional tem grandes motivos para se orgulhar. A qualidade dos livros que venho lendo do gênero, de autores nacionais, vem me deixando muito feliz. De verdade. Não estou querendo puxar farinha pro saco dos autores nacionais, muito menos pro autor do livro em específico. Mas confesso que o fato de uma obra dessas, tão bem estruturada e escrita vir de um autor nacional me deixa sim com muito orgulho e esperançosa. Por essas e outras que eu tenho certeza que muita coisa boa ainda está por vir na nossa literatura.

Bom gente, por hoje era só. Espero que tenham gostado da minha resenha. Não deixe de comentar! 

9 comentários:

  1. Excelente Resenha Yasmim se lavou xD

    O livro é fantástico mesmo, os detalhes, a história, as batalhas, tudo. Ele cria uma tensão bem forte durante praticamente todo o livro, que vai preparando pra última batalha. É um livro extremamente viciante além de que é impossível ler e não ficar fã do Ablon o/

    Ah e Filhos do Éden - vol. 1, que é o livro anterior cronologicamente falando, é mais fraco mas ainda sim é bom e explica melhor alguns elementos que só eram citados na Batalha do Apocalipse.

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  2. Caprichou na resenha Yasmim!
    Ainda não li o livro em questão, porém ele foi uma das minhas últimas aquisições desse mês, até então!
    Infelizmente tenho alguns livros para ler antes dele, mas sua resenha me deixou cheia de vontade de apreciá-lo logo!
    Obrigada pela ótima resenha mais uma vez, até mais. xx

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  3. Valeu, Gabriel! Que bom que gostou da minha resenha. :D

    O fato de algumas coisas terem sido apenas citadas foi o que o autor infelizmente pecou mesmo, mas eu não levei em consideração por dois motivos:

    1°: Eu não li a edição especial, que contém bem mais informações;
    2º Não li também o Filhos de Éden, que como tu disse (e eu não sabia disso) também explica algumas coisas.

    Apesar disso, com certeza o livro se tornou um dos meus favoritos! :D

    Valeu por dar tua opinião, ainda não havia lido nada a respeito do outro livro. Tô bem ansiosa pra começar a ler!


    Abraço. :D

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  4. Valeu, Alice! Fico feliz que tenha gostado. :D

    Espero que possa ler o livro assim que terminar tuas outras leituras... é realmente muito bom! Fico muito feliz de ver um trabalho de tamanha qualidade vir de um autor brasileiro... e digo mais: acho que daria uma baita adaptação nos cinemas!
    Ótima leitura pra ti! Obrigada por comentar.

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  5. Oi Yasmim! Não sei se fico culpada, ou não por não ter lido toda a tua resenha. Já explico por que: já peguei esse livro para ler duas vezes, e infelizmente não consegui pegar o rtimo do enredo. Ameeei Ablon e a Feiticeira e apesar de achar o enredo genial, para mim não surtiu efeito. Parecia que eu estava em uma interminável e chata aula sobre mitologia-bíblico-romanceada-e-aventuresca. Espero um dia conseguir terminar de ler, só então poderei vir comentar tua resenha com clareza (;

    Beijocas ;*

    @pirulitolimao | Blog A Garota da Livraria

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  6. Hahaha! Sem problemas. :D
    Pois é, a questão dos flashbacks intermináveis que o autor inseriu no meio da trama pareceu cansativo para muitas pessoas, mesmo... não se preocupe, tu não foi a única. Mas quando tiver um tempinho, termine de ler ele... apesar disso, é uma leitura bem interessante. :D


    Aguardo teu retorno aqui então, pra dizer o que achou do livro. Ótimas leituras pra ti!

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  7. Uma resenha longa para um livro longo.

    Demorei bastante para ler este livro, pois fiquei alternando com outras leituras. Achei uma estória fascinante, que te a agarra forte logo no início. O extenso enredo, que é desenrolado ao longo de um amplo período cronológico (do auge do império babilônico à atualidade), é bem arquitetado, com informações precisas e realistas, coberta de detalhes. Aliás, os detalhes muito me agradaram na trama. Uma simples pena angelical ou um feitiço rúnico esquecido há centenas de páginas atrás ressurge e adiciona todo tipo de reviravolta, adicionando uma imprevisibilidade saudável na narrativa. Gostei bastante de alguns vilões (como sempre torço por eles, viro crítico ferrenho dos mesmos #P), dos cenários e do glossário final, sempre útil em contos complexos. Os combates são dinâmicos e mortais; confesso que nos primeiros embates eu me assustei, tamanha era a velocidade que personagens que eu achava durões caíam perante a Ira de Deus de Ablon. E, para quem gosta de magia, superpoderes e entidades sobrenaturais de diversas mitologias (assim como eu), A Batalha o Apocalipse não deixa à desejar.
    Contudo, considero alguns pontos negativos neste livro. A trama é mal cadenciada; há cenas pouco importantes que se arrastam por páginas e páginas e cenas interessantes que se vão em um ou dois parágrafos. A maioria dos personagens principais possuem pouco carisma, admitindo-se que são entidades angelicais/demoníacas com eras de existência. O capítulo final, apesar de evocar a magnitude de um clímax épico, é entediante, insosso. Sem falar de que, durante todo o livro, paira um quê de clichê holliwoodiano, o qual particularmente não aprecio.
    Obviamente, a minha opinião é mais humilde das humildes. Se você gosta de fantasia épica, recomendo bastante o livro, pois dificilmente você irá se arrepender. Caso contrário, passe longe!

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  8. Oi, Dani! Obrigada por dar a tua opinião - beeeeeem enriquecedora, diga-se de passagem.É legal ver o ponto de vista de alguém que enxergou pontos negativos no livro. Eu particularmente não consegui, muito embora isso possa vir a mudar conforme eu for relendo o mesmo. Isso sempre acontece. Mas por hora, recomendo que leia Anjos da Morte! Tanto o volume 1 quanto o 2. A escrita é beeeeeeeeem diferente de ABdoA e o mesmo não se prende em flashbacks.Acho que tu poderá gostar!

    Abraço.

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  9. estou escrevendo meu livro, e parte pra este lado. Eu amei a sua resenha sobre o livro, espero que um dia possa fazer a do meu.

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